Sociedade espera que o STF interprete a lei a favor do bem, e não para beneficiar criminosos, diz Alvaro Dias

“A Operação Lava Jato, símbolo do combate à corrupção no País e que ressuscitou as esperanças da nossa gente de uma nova justiça, nunca esteve tão ameaçada como está no presente momento”. A afirmação foi feita pelo senador Alvaro Dias, na sessão plenária desta segunda-feira (30/9), ao falar sobre iniciativas que buscam minar as conquistas obtidas pela Operação Lava Jato. O senador expôs a sua preocupação com a retomada do julgamento, pelo STF, do entendimento de que os delatados só devem apresentar suas alegações finais nos processos depois dos delatores. Esta decisão pode vir a afetar diversas sentenças de condenados pela Lava Jato.

“Nós estamos preocupados, esta é uma semana de grande apreensão. Os olhos do Brasil se voltam novamente para o Supremo Tribunal Federal. Nós estamos assistindo a retrocessos imperdoáveis. Nós tivemos, nessa semana que passou, mais um golpe contra a Operação Lava Jato. E eu repito: não só contra a Operação Lava Jato, não só contra o combate à corrupção na Administração Pública, mas contra o combate ao crime, à criminalidade, à violência, o combate a assaltantes, a assassinos de toda natureza, ao tráfico de drogas, ao contrabando de armas, ao estupro, ao sequestro, a outros crimes, a organizações criminosas poderosas”, afirmou o senador Alvaro Dias.

“O que decidiu o STF vai contra o combate à impunidade e, certamente, preserva os interesses de corruptos, de marginais, de criminosos, e, sobretudo, dos mais poderosos, chamados de colarinho branco, autoridades que se envolvem com o crime no nosso País”, disse o senador Alvaro Dias.

No seu pronunciamento, o senador Alvaro Dias afirma que os brasileiros, revoltados com a decisão recente do STF, exigem que a interpretação da lei se dê a favor do bem, e não o contrário. O senador afirmou que a sociedade espera que os ministros da Suprema Corte interpretem a lei a favor da justiça, e não da impunidade, em nome dos interesses da população, que, segundo ele, quer a construção de uma Nação onde se possa exercitar, na sua plenitude, a cidadania, e onde se possa viver com dignidade e com oportunidades iguais de vida digna.

O senador Alvaro Dias também explicou, no seu discurso, que quando aborda com insistência o tema do combate à corrupção, o faz preocupado com o desenvolvimento econômico e social do País. “Não se trata de abandonar a agenda econômica e social; ao contrário, trata-se de valorizar essa agenda, porque ela é concomitante, ela é simultânea, ela é parte. O combate à corrupção é parte da agenda econômica, porque quando o nosso País mostrar uma cara limpa para o mundo e convencer que o Brasil se tornou outra vez um país sério, certamente os investimentos portentosos que daqui se foram, expulsos pela corrupção e pela incompetência, retornarão ao nosso País”, afirmou o Líder do Podemos.

Ao falar citar as ações que buscam inviabilizar a Lava Jato, o senador Alvaro Dias afirmou que a operação estava mais forte no governo anterior, de Michel Temer. O senador disse estranhar que após a realização de eleições que ressuscitaram as esperanças de que haveria uma ruptura com o sistema retrógrado que governava o Brasil, houve a expectativa de que Lava Jato poderia ser institucionalizada como uma política de estado permanente no combate à corrupção. No entanto, o que vem acontecendo é o oposto, com o trabalho da Força-Tarefa sendo fragilizado por ataques constantes que, segundo o senador, partem desde o subterrâneo do crime.

“Essa é a realidade que nós estamos vivendo. Há retrocessos repetidos no âmbito do Executivo, como fulminar o Coaf, desrespeitando acordo internacional celebrado pelo Brasil em Viena, no ano de 1988, que deu origem ao Coaf e que inspirou o surgimento de organismos semelhantes na América Latina. Pois bem: explodiram o Coaf. Há uma medida provisória tramitando agora no Congresso para a substituição do Coaf por uma outra organização. Não será a mesma coisa. Há a mordaça à Receita Federal, que investigava 133 autoridades – e foi a Receita impedida de dar continuidade às investigações de dar continuidade às investigações, descumprindo também compromissos internacionais do nosso País, quando assumimos a responsabilidade de combate à lavagem de dinheiro, especialmente. A tentativa de retirar prerrogativa da Polícia Federal, do Ministério Público caminha na direção oposta das aspirações da população brasileira”, afirmou o senador.

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