Durante sessão especial do Dia Mundial da Saúde, o deputado federal Luiz Carlos Hauly (PR) traçou um panorama histórico e técnico sobre a evolução da saúde pública no Brasil. Com a autoridade de quem vivenciou as bases do sistema, Hauly reafirmou que o Sistema Único de Saúde (SUS) é “uma das maiores conquistas sociais da nossa história e um modelo que serve de referência para o mundo”.
Como prefeito de Cambé (PR) no início dos anos 80, Hauly participou da implementação das Ações Integradas de Saúde (AIS). O projeto-piloto, fruto de uma parceria estratégica entre municípios, a Secretaria Estadual de Saúde — sob a liderança do saudoso médico Luiz Cordoni — e a Universidade Estadual de Londrina (UEL), foi o embrião da municipalização dos serviços.
Hauly lembrou da importância da Lei 8.080/90 que estabeleceu a Lei Orgânica da Saúde, mas foi necessária uma intensa mobilização social para que a Lei 8.142/90 fosse sancionada meses depois. Esta última garantiu dois pontos fundamentais para a sobrevivência do sistema: a participação popular na gestão e a transferência direta de recursos entre União, estados e municípios.
Um dos pontos centrais do discurso foi o comparativo que expõe a desigualdade estrutural do país:
- Alcance: O SUS atende cerca de 165 milhões de brasileiros (75%), enquanto o setor privado cobre cerca de 50 milhões (25%).
- Investimento: O Brasil aplica entre 9% e 10% do PIB em saúde. Contudo, o setor público recebe apenas 4,5%, enquanto o privado (com 1/3 da população) retém 5,5%.
- Desigualdade: Na prática, quem possui plano de saúde conta com quatro vezes mais recursos por pessoa do que o cidadão que depende exclusivamente da rede pública.
“O SUS é vitorioso, mas sofre com a falta de equipamentos e com a sobrecarga que recai sobre ombros de prefeitos e governadores. Precisamos corrigir essa distorção financeira”, alertou.
Para o deputado, a saúde não se limita ao ambiente hospitalar. Ela é o resultado de um ciclo que envolve saneamento básico, alimentação adequada, vacinação e educação. Ele destacou que o aumento da população mundial (de 1 bilhão em 1800 para 8 bilhões atualmente) e a urbanização brasileira — que saltou de 20% para 85% em cinco décadas — só foram possíveis graças ao fortalecimento desses sistemas de proteção à vida.
Hauly defendeu que a recuperação econômica é o único caminho para a sustentabilidade da saúde pública. “Não existe sistema de saúde forte com uma economia fraca. O caminho é fortalecer o financiamento, aprimorar a gestão e fazer o Brasil voltar a crescer. Saúde não é gasto; saúde é investimento, é dignidade, é vida”, concluiu.
Foto: Artur Póvoa – Liderança do Podemos na Câmara

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