Victória Porto
Em 24 de fevereiro de 1932, o Brasil reconheceu oficialmente aquilo que já era legítimo: o direito da mulher ao voto. Não foi concessão, foi resultado de vozes femininas que se recusaram a permanecer à margem da história.
O voto para nós não significou apenas escolher representantes; foi o reconhecimento da mulher como sujeito político, capaz de decidir os rumos da nação e consequentemente da própria vida.
Ainda assim, por muito tempo tentaram nos reduzir a mero acaso — como se nossa presença fosse circunstancial, como se nossa força fosse exceção. Mas não somos acaso – somos legado em construção.
Cada direito carrega a memória de quem resistiu antes de nós. E nós seguimos. Vieram as universidades, os espaços de liderança, o direito ao trabalho, ao empreendedorismo, à participação ativa nas decisões públicas.
Vieram as cadeiras na política, a presença nas instituições e o reconhecimento construído com trabalho e propósito. Talvez tudo sempre tenha sido sobre espaço. Um lugar no mundo, uma chance de existir por inteiro — aquilo que, um dia, Virginia Woolf chamou de um quarto todo seu.
Hoje sabemos que esse quarto cresceu. Está nas salas de aula, nas empresas, nos consultórios, nas comunidades e também dentro de casa, onde tantas sustentam o mundo sem aplauso. Está nas escolhas feitas com coragem, na autonomia que se constrói passo a passo, na liberdade de caminhar com as próprias pernas e escrever a própria história.
Do voto à liderança. Do silêncio à voz ativa. Da invisibilidade ao protagonismo. Nossa trajetória é feita de avanços concretos, construídos com coragem cotidiana e sacrifícios que raramente viram manchete.
E enquanto mulher jovem, sigo acreditando não é apenas sobre ocupar espaços — é fazer a menina que fomos aos oito anos sentir orgulho da mulher que nos tornamos. A história está de olho em nós, muito além do acaso: fomos conquista.
MINI BIO Victória Porto é vice-presidente da Juventude Podemos SP, gestora pública e jornalista. Atua há mais de 11 anos no terceiro setor como voluntária e é ativista pelo Direito das Mulheres. Mãe da Athena, de 6 anos, acredita que construir um mundo melhor é possível por meio da política.

O PODEMOS é um partido movimento que surgiu como uma resposta aos brasileiros cansados de não serem representados na política. Um partido independente de governos e vota o melhor para o Brasil.
