Deputada Enfermeira Ana Paula (CE)
Das funções políticas que conheço, considero que entre as mais desafiadoras está a de ser prefeito de um município. Tenho especial admiração por quem é dotado da coragem e da envergadura de colocar o nome à disposição da população local para exercer essa função, pois o peso da responsabilidade e da opinião pública praticamente invade a sua casa todos os dias e coloca não somente você, mas toda a sua família na mira de avaliações e críticas severas – e nem sempre justas.
Ao sair de casa para trabalhar, o gestor municipal faz interface direta com a população, lida com problemas intermináveis e com a responsabilidade constitucional diária de manter a oferta de serviços públicos em compasso com a demanda, especialmente nas áreas da saúde, segurança e educação. Para ter sucesso nesta missão, é necessário ter coragem, empatia, disposição e espírito público de verdade.
A propósito, no que se refere ao campo da saúde, eu tenho uma humilde sugestão aos prefeitos e posso garantir que, ao adotar essa medida, o resultado será a melhora visível dos indicadores de saúde, em qualquer cidade onde decisão política dessa natureza seja aplicada.
Considerando os orçamentos vinculados à saúde pública, percebo que a falta de dinheiro nem sempre é o maior problema enfrentado pelos gestores municipais. No âmbito estadual e federal, existem fundos e recursos públicos disponíveis que deixam de ser executados, por falta de projeto, de conhecimento e de gente que entenda como esses mecanismos funcionam.
Ao meu ver, isso acontece por uma razão elementar: falta enfermeiros em cargos de gestão nas secretarias municipais de saúde. A maioria dessas funções ainda é ocupada por pessoas sem conhecimento o suficiente para fazer o sistema funcionar com eficiência e sem interrupções.
Assim, não por falta de dinheiro, mas por falta de gestão adequada, as escalas são mal dimensionadas, os contratos vencem, os remédios acabam, o atendimento empaca e as filas se multiplicam sem solução à vista.
Quando isso acontece, é um desastre para a imagem do prefeito. Por outro lado, se o hospital estiver funcionando direitinho, se não deixar remédio faltar e, principalmente, se as filas estiverem controladas e o povo bem atendido no tempo certo, já é meio caminho andado para ganhar o coração e a confiança do eleitor.
De acordo com dados do Ministério da Saúde e mapeamento feito por pesquisadores como André Luis Bonifácio de Carvalho e Assis Luiz Mafort Ouverney, os enfermeiros respondem por apenas 26% dos cargos de gestão municipal no campo da saúde. Em países da OCDE, esse número chega a 50%.
Note-se que a enfermagem é uma das poucas profissões que traz a gestão da assistência à população como componente central em sua matriz curricular. Além de cuidar de pacientes, os enfermeiros sabem desde a faculdade como organizar serviços de saúde, coordenar pessoas, dimensionar demandas, gerir contratos, comprar insumos, realizar auditorias e cuidar de um governo assim como cuida da saúde das pessoas: com profissionalismo, humanidade e competência.
E está tudo na lei. A atuação da enfermagem na área da gestão é autorizada pela Lei 7.498/86 e regulamentada em resoluções específicas do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen).
Então, prefeito, se você quer melhorar os indicadores de saúde do seu município, coloque enfermeiras e enfermeiros em cargos de gestão e veja essa decisão transformar-se em resultado, grau de satisfação e popularidade, de verdade.
Enfermeira Ana Paula é deputada federal eleita pelo Podemos do Ceará
Foto: Renato Araujo – Agência Câmara

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