Renata Abreu defende o debate de métodos alternativos de voto

“No momento em que discutimos a maior e mais impactante reforma político-eleitoral desde a redemocratização, devemos aproveitar para também debater métodos alternativos onde não se desperdicem votos”, diz Renata Abreu (Podemos-SP), relatora da PEC da Reforma da Política.  Segundo a parlamentar, a Comissão Especial irá avaliar se o sistema de voto preferencial, adotado em várias localidades no mundo, será incluído ou não nas eleições majoritárias de 2022.

Na votação preferencial, o eleitor vota em uma lista de candidatos segundo sua preferência, do melhor ao pior. Caso nenhum dos candidatos obtenha mais de 50% do total de votos, o último colocado é eliminado. Os votos dos eleitores que o escolheram são distribuídos de acordo com sua segunda opção. Se o patamar de 50% ainda não tiver sido alcançado, elimina-se o penúltimo e redistribuem-se seus votos. Repete-se o procedimento até um dos candidatos atingir mais de 50%.

Responsável pela emenda a ser debatida na Comissão, o deputado federal Tiago Mitraud (Novo-MG) defende que o atual sistema, com dois turnos, é imperfeito porque, na sua avaliação, força o eleitor a votar não no seu candidato preferido, mas naquele que tem mais chance ou que tem mais condição de vencer.

OUTRAS LOCALIDADES

O voto preferencial é adotado para a escolha de prefeitos e governadores em alguns estados dos Estados Unidos. No Maine, o sistema é usado para a eleição de governador. O método é utilizado, desde 2004, em São Francisco, na Califórnia, e será testado em breve para a eleição municipal de Nova York.

De acordo com a FairVote, organização que defende a reforma eleitoral nos Estados Unidos, 22 jurisdições usaram em junho o voto preferencial em suas eleições. Outras 53 jurisdições devem adotar o sistema nas próximas eleições. Um projeto piloto em Utah vai testar o sistema em 23 cidades do estado ainda neste ano.

O método também é utilizado nas eleições provinciais e para prefeituras na Nova Zelândia e no Canadá. No âmbito federal, foi implementado na Austrália e Irlanda. Modelo semelhante é usado ainda na premiação do Oscar para definir o melhor filme.

Foto: Robert Alves/Monumental Foto