O diagnóstico de autismo muda a vida da criança — e vira de cabeça para baixo a vida de toda a família. Pais e mães passam a viver uma rotina de cuidados intensos, muitas vezes marcada por exaustão emocional, insegurança e falta de apoio. E é justamente aí que existe uma falha grave: o Brasil ainda não cuida de quem está na linha de frente desse desafio.
Para enfrentar essa realidade, a deputada federal Renata Abreu (SP) apresentou o Projeto de Lei 1285/2026, que garante assistência psicológica, social e psicoeducativa aos pais, responsáveis e cuidadores de pessoas com autismo.
A proposta parte de um princípio simples: não existe cuidado de qualidade sem cuidar de quem cuida. Ao fortalecer a saúde emocional das famílias, o projeto melhora também o desenvolvimento e o tratamento das crianças com TEA.
O projeto altera a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista para incluir, de forma clara, o atendimento contínuo aos cuidadores desde o momento do diagnóstico. Na prática, isso significa que o sistema público de saúde e as redes de atendimento passam a oferecer suporte psicológico, orientação social e acompanhamento psicoeducativo para preparar e apoiar essas famílias ao longo de toda a jornada.
A proposta também busca integrar esse atendimento às equipes multidisciplinares já existentes, garantindo que o cuidado seja completo: não apenas focado na criança, mas estruturado para dar suporte a toda a família. A medida tem caráter preventivo, reduzindo casos de esgotamento emocional, ansiedade e depressão entre cuidadores, além de contribuir para a continuidade e eficácia dos tratamentos.
Para Renata Abreu, a iniciativa é uma resposta a uma dor silenciosa que ainda não recebe a atenção necessária do poder público. “Quando uma criança é diagnosticada com autismo, nasce também uma nova realidade para toda a família. E essa família precisa de orientação, apoio e acolhimento. Cuidar de quem cuida é garantir que essa criança tenha mais chances de se desenvolver com dignidade.”
Reconhecida por sua atuação na defesa dos direitos das pessoas com autismo e suas famílias, a deputada tem trabalhado para ampliar políticas públicas que avancem não apenas no tratamento, mas também na inclusão social, educacional e no suporte econômico dessas famílias.
“Não podemos mais tratar os pais como coadjuvantes. Eles são peça central no desenvolvimento dessas crianças. Dar suporte a esses cuidadores é uma medida de humanidade, mas também de eficiência nas políticas públicas.”
Com o aumento dos diagnósticos de autismo no Brasil, iniciativas como essa reforçam a necessidade de um olhar mais amplo: que enxergue não apenas o indivíduo, mas todo o contexto familiar envolvido.
Texto – Lola Nicolás
Foto – Artur Póvoa

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