Marangoni é deputado federal eleito por São Paulo
O mundo entrou em uma nova disputa geopolítica. Depois do petróleo, dos semicondutores e das cadeias energéticas, a infraestrutura da inteligência artificial tornou-se um dos principais ativos estratégicos do século XXI.
Data centers deixaram de ser apenas instalações tecnológicas. Hoje, representam poder econômico, soberania digital, capacidade industrial e influência global. É exatamente por isso que o Brasil não pode assistir passivamente à corrida internacional pela inteligência artificial.
Nos últimos meses, gigantes globais como Microsoft, AWS, Google, Oracle e ByteDance aceleraram investimentos bilionários no país. Campinas consolidou-se como um dos principais polos latino-americanos de hyperscalers voltados à IA. Fortaleza passou a integrar a rota internacional da infraestrutura digital graças à combinação rara entre cabos submarinos, energia renovável e posição geográfica estratégica.
Os números mostram a dimensão dessa transformação. Apenas no primeiro trimestre de 2026, a América Latina contratou 328 MW em capacidade de data centers — mais do que o dobro de todo o volume registrado ao longo de 2025. O Brasil lidera esse movimento.
Existe, porém, uma pergunta central que o Congresso Nacional precisa enfrentar: o Brasil quer ser protagonista da economia digital ou apenas consumidor tardio de tecnologia produzida em outros países?
O REDATA surge exatamente como resposta estratégica a essa disputa.
Trata-se de uma política pública moderna, alinhada às grandes agendas internacionais de inovação, reindustrialização tecnológica e atração de investimentos. Mais do que um regime tributário, o REDATA é um instrumento de política industrial, competitividade econômica e segurança nacional digital.
Nenhum país relevante está tratando infraestrutura computacional como tema secundário. Estados Unidos, China, Emirados Árabes, Índia e União Europeia disputam investimentos em inteligência artificial com incentivos, segurança regulatória e visão estratégica de longo prazo.
O Brasil possui vantagens competitivas reais. Temos uma das matrizes energéticas mais limpas do planeta, enorme potencial de expansão renovável, capacidade territorial, conectividade crescente e estabilidade institucional. Poucos países conseguem reunir simultaneamente escala energética, segurança jurídica e potencial de expansão digital.
O problema é que oportunidades estratégicas não permanecem abertas indefinidamente. Sem previsibilidade regulatória, sem ambiente legislativo seguro e sem uma política clara para infraestrutura digital, os investimentos migram para outras jurisdições.
Não estamos falando apenas de servidores ou armazenamento de dados. Estamos falando de empregos qualificados, formação tecnológica, atração de cadeias produtivas, desenvolvimento de inteligência artificial nacional, fortalecimento da pesquisa, expansão da economia digital e aumento da produtividade brasileira.
Os próprios movimentos recentes do setor privado revelam isso. Empresas como Equinix, Cisco, ODATA e Vertiv já iniciaram programas de formação profissional voltados à operação de data centers e infraestrutura digital. O mercado compreendeu rapidamente aquilo que o poder público precisa consolidar: infraestrutura tecnológica também é política de desenvolvimento.
No Congresso Nacional, o debate sobre o REDATA precisa superar visões ideológicas simplificadas. O que está em jogo não é apenas uma desoneração tributária. O que está em discussão é a posição estratégica do Brasil na economia digital das próximas décadas.
O país perdeu parte das revoluções industriais anteriores por excesso de atraso decisório, insegurança regulatória e incapacidade de transformar vantagens naturais em liderança econômica. Não podemos repetir esse erro justamente no momento em que a inteligência artificial redefine as relações entre tecnologia, produção e soberania.
“O REDATA é uma agenda de Estado. O Brasil precisa decidir se quer liderar a transformação da inteligência artificial ou apenas assistir ao avanço de outras economias.”
Foto: Vinícius Loures – Agência Câmara

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