No Dia das Mães, o reconhecimento não pode ficar apenas nas flores, nas mensagens e nas homenagens. Para milhões de brasileiras, a maternidade também significou noites sem descanso, renúncias silenciosas, jornadas duplas e a responsabilidade de sustentar emocionalmente e financeiramente a família, muitas vezes sem apoio suficiente.
É justamente essa realidade que o Projeto de Lei 6841/2025 busca trazer para o centro do debate. A proposta cria um adicional previdenciário para mulheres seguradas do Regime Geral de Previdência Social (RGPS) que tenham se dedicado ao cuidado dos filhos, reconhecendo o impacto social e econômico da maternidade ao longo da vida.
O projeto prevê um adicional de 5% no valor da aposentadoria ou pensão por morte por filho nascido ou adotado, limitado a até três filhos, mediante comprovação simples da maternidade e do exercício do cuidado.
A proposta dialoga com uma realidade vivida diariamente em milhões de lares brasileiros. Dados do Censo 2022 do IBGE mostram que as mulheres já são responsáveis por 49,1% das residências do país, o equivalente a cerca de 36 milhões de lares. Em muitos desses casos, mães assumem sozinhas grande parte das responsabilidades da criação dos filhos, da organização da casa e da manutenção da família.
Mesmo trabalhando fora, milhares de mulheres continuam sendo as principais responsáveis pelo cuidado diário dos filhos, acompanhamento escolar, alimentação, saúde e proteção emocional da família. Levantamento divulgado pelo Ministério do Desenvolvimento Social, com base em dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT), aponta que as mulheres dedicam quase 10 horas semanais a mais do que os homens aos trabalhos domésticos e de cuidado não remunerado.
Essa sobrecarga acaba produzindo efeitos profundos ao longo da vida. Muitas mães reduzem jornadas, interrompem carreiras, enfrentam períodos de informalidade ou deixam de contribuir regularmente para a Previdência para priorizar o cuidado com os filhos. Décadas depois, isso se reflete em aposentadorias menores, mais insegurança financeira e maior vulnerabilidade no envelhecimento.
O PL 6841/2025 surge como uma tentativa de reconhecer uma realidade que durante muito tempo permaneceu invisível nas políticas públicas. A proposta não altera regras gerais da Previdência nem cria privilégios automáticos. O objetivo é oferecer uma compensação proporcional para mulheres que dedicaram parte importante da vida ao cuidado familiar.
Mais do que um debate previdenciário, o projeto traz uma discussão sobre proteção social, valorização da maternidade e justiça com mulheres que ajudaram a sustentar famílias inteiras, muitas vezes em silêncio.
Porque cuidar também é trabalho. E mães que dedicaram a vida aos filhos merecem envelhecer com mais dignidade, proteção e segurança.
Foto: Artur Póvoa – Liderança do Podemos na Câmara

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